quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Durma com os demônios


No meu quarto, toda noite
me deito no claro, sozinho,
espero que a escuridão cubra meus olhos e pensamentos

Já não há mais sonhos, eles devem ter ido passear por aí...
No banco de trás do carro do SAMU
Ou da Rotam

Eu não durmo bem desde que
Os anjos viraram meus próprios demônios

A mente de uma boa oficina
É repleta de idéias vazias
Que me dizem
O que te impede de dar um passo a mais?

E se no caso de você voltar
Acho que nem vou notar
Vou te desprezar
Como se nem tivesse saído

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Prefácio mais que perfeito

A frustração leva ao medo. Dá raiva. Muita raiva. Para quem gosta, ou para quem já se acostumou, é bom. Seria um falso sorriso construído por uma felicidade de plástico. É tudo para quem não tem nada. O sorriso torna-se mais constante. A raiva apaga, fica o vácuo. O que seria paz, na verdade, é só silêncio.  Silêncio demais! Você grita sozinho como um louco. Agita. A ansiosidade guia suas ações. Tudo é tão intenso, eufórico, hiperativo... nada mais te acompanha. Ficam para trás. Você quer tudo ao mesmo tempo. Na mesma hora. Na mesma dose. Não consegue. Infelizmente não. O mundo só te oferece doses controladas se sentimentos diversos. Nunca o que você quer, na hora que você quer, na hora certa. É o medo para quem quer coragem. Brigas para quem quer paz. Apatia para quem quer amor. Amor para quem só te dá apatia. É frustrante. Dá medo. A frustração leva ao medo ...

domingo, 24 de abril de 2011

Morrendo aos poucos

A ausência de vida em nosso amor cor de cinza tornou-se predominante. Predominantemente nublado. Assim como a catarata cega o horizonte de um futuro, a perspectiva que criamos para nosso "mundo melhor" é tão sustentável quanto o dia seguinte da cinderela antes de dançar valsa em um castelo de areia. E cuidado com as ondas do mar! Nem suas lágrimas infiltram mais no meu coração infértil. Nosso dia a dia era tão real... tanto quanto quem ri da própria desgraça. Como num sorriso forçado. Como o falso colorido em um buque de flores de plásticos. Os mesmos que você pediu em um doze de junho. 

Hoje me sinto um pouco mais insensível... Nem o deslizar da lâmina de uma faca faria sentido ao meu antebraço. Nem o sistema me deixa mais nervoso. Temo envelhecer até o apodrecimento. A dor se incorporou ao nada, juntos, sem definição. Ela transcendeu aos sentidos. Quase como o Sexto. Invadiu a alma. Acho que tudo isso é culpa tua. 

Está ouvindo!? Ou estou ficando louco? Só eu vejo música em tudo que ouço? Quase como em um vídeoclip. Ela sai dos seus lábios, creditadas, implorando para eu ignorar seus direitos ditatoriais. Pede para que minha melodia seja ainda mais pesada, mas sua pegada não acelera mais meu coração. Perdeu seu tempo! Por mais que meu solo peça acompanhamento, continua errando a batida. Desequilibrada como um violão sem braço. Distorcida como uma corda velha. Industrializada. Plágio. 

Nossa rotina e sua ausência apodreceram meus sonhos. Nem pesadelos costumo tê-los. Só silêncio. Até a TV incomoda. Meu ipad não faz mais sentido. Só sabe tocar uma única música.  Uma velha, plagiada de uma banda que nem existe mais. Como o fantasma de um amor passado, assombrando novos beijos e novos amores. É como reler uma carta de despedida. É mais ou menos assim:

O nada é todo no nosso ambiente / Ele já faz parte na vida da gente / Não há mais compaixão / Sinta só a batida do meu coração / Cada vez mais baixo...

É assim que termina:

A trilha sonora desta última noite / Acompanha uma banda em marcha fúnebre / Cada vez mais baixo! 

Ps: Escrevendo e ouvindo Kings of Leon e Incubus.